Região Imediata de Miracema apresenta escassez de mídia e redução populacional
Por Valmir Araújo
A Região Geográfica Imediata de Miracema do Tocantins, situada na porção central do
estado, é composta por cinco municípios: Miracema do Tocantins, Tocantínia, Rio dos Bois,
Miranorte e Dois Irmãos do Tocantins. Juntas, essas cidades somam uma população de
47.791 habitantes, conforme o Censo de 2022, distribuída em um território de 10.891 km².
A variação populacional entre os censos de 2010 e 2022 revela dinâmicas distintas. Miracema
do Tocantins registrou 18.566 habitantes em 2022, o que representa uma queda de 10,24%
em relação a 2010. Tocantínia, por sua vez, apresentou crescimento populacional de 10,73%,
atingindo 7.459 moradores. Em Rio dos Bois, o aumento foi de 6,54%, totalizando 2.738
pessoas. Miranorte teve um crescimento mais discreto, de 0,62%, alcançando 12.701
habitantes. Já Dois Irmãos do Tocantins apresentou a maior retração proporcional da região,
com queda de 11,65%, somando 6.327 moradores. Apesar da redução, Miracema do
Tocantins continua sendo o município mais populoso da região, concentrando cerca de 38,9%
do total regional.

Em termos econômicos, os dados do IBGE de 2021 apontam que Miracema do Tocantins
possui o maior Produto Interno Bruto (PIB) da região, com R$ 642.002 mil. Desse total, R$
231.000 mil são oriundos dos setores de serviços e administração pública, R$ 194.581 mil da
indústria e R$ 189.526 mil da agropecuária. Os demais municípios apresentam os seguintes
PIBs: Miranorte com R$ 390.325 mil, Dois Irmãos do Tocantins com R$ 216.149 mil,
Tocantínia com R$ 191.372 mil e Rio dos Bois com R$ 85.928 mil. Miracema concentra,
portanto, aproximadamente 41% do PIB da região, evidenciando sua centralidade econômica.
Apesar de sua posição de destaque em termos populacionais e econômicos, a infraestrutura de
mídia na região é extremamente limitada. Em Miracema do Tocantins, há apenas um site
jornalístico ativo, o Mirajornal, fundado em 1992 pelo jornalista José Carlos Almeida, que
permanece como editor. O veículo operou durante décadas no formato impresso, mas
atualmente funciona apenas em versão digital. No setor radiofônico, Miracema conta com
duas emissoras: a Rádio Cultura AM, de caráter comercial, e a Rádio Miracema FM 104,9, de
caráter comunitário.
Já os demais municípios da região dispõem apenas de rádios comunitárias: Dois Irmãos do
Tocantins com a Rádio Dois Irmãos FM 87,9 e Miranorte com a Rádio Miranorte FM 104,9.
Não foram identificados veículos de comunicação estruturados em Tocantínia e Rio dos Bois.
Os dados de mídia são idênticos entre os levantamentos de 2020 e 2024 do Mapa da Mídia do
Tocantins, realizado pelo Grupo de Pesquisa em Jornalismo e Multimídia da Universidade
Federal do Tocantins (Nepjor/UFT).
Ao realizar um levantamento sobre as estruturas de comunicação institucional dos municípios
da Região Geográfica Imediata de Miracema do Tocantins foi possível constatar que todos
contam apenas com assessorias de comunicação vinculadas às prefeituras e câmaras de
vereadores. Em nenhuma das cidades foi identificada a existência de uma secretaria de
comunicação estruturada. Apesar disso, nota-se uma produção mais frequente de conteúdos
institucionais de releases informativos nos sites das prefeituras, com destaque para Miracema
do Tocantins, que é o maior da região em termos populacionais e administrativos e conta com
um volume maior de publicação que os outros municípios.
O município de Miracema do Tocantins, além de sua relevância econômica e demográfica,
tem um papel simbólico importante por ter sido a primeira capital provisória do estado do
Tocantins entre janeiro de 1989 e dezembro de 1989, antes da instalação definitiva de Palmas
como capital estadual em 1990. A cidade também abriga um campus da Universidade Federal
do Tocantins (UFT), reforçando seu status como polo regional.
Esse cenário evidencia uma contradição significativa: a presença de uma cidade com
importância histórica, econômica e institucional, inserida em uma região de baixa densidade
populacional, contrasta com a notável escassez de meios de comunicação. A limitação de
veículos de mídia locais pode comprometer a circulação de informações, a diversidade de
vozes e a participação cidadã. Nesse contexto, o desenvolvimento de políticas públicas
voltadas à comunicação comunitária e ao fortalecimento das mídias locais torna-se uma
medida essencial para promover a integração regional e assegurar o direito à informação.