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Porto Nacional cresce e concentra infraestrutura comunicacional da região imediata

Por Valmir Araújo

A Região Geográfica Imediata de Porto Nacional, localizada na parte central do estado do
Tocantins, é composta por 13 municípios: Brejinho de Nazaré, Chapada da Natividade,
Fátima, Ipueiras, Monte do Carmo, Natividade, Oliveira de Fátima, Pindorama do Tocantins,
Ponte Alta do Tocantins, Porto Nacional, Santa Rita do Tocantins, Santa Rosa do Tocantins e
Silvanópolis. De acordo com o Censo de 2022, essa região possui uma população total de
116.973 habitantes, distribuída em um território de 30.462,486 km². Os dados indicam
crescimento populacional puxado principalmente por Porto Nacional, enquanto a maioria dos
municípios apresentou retração demográfica.

Porto Nacional é o município com maior população, somando 64.418 habitantes, o que
representa um crescimento de 31,07% em relação ao Censo de 2010. Brejinho de Nazaré
conta com 4.725 habitantes, uma queda de 8,87%. Chapada da Natividade possui 3.117
habitantes, com decréscimo de 4,88%. Fátima registra 3.467 habitantes, com redução de
8,88%. Ipueiras tem 1.590 habitantes, uma queda de 2,99%. Monte do Carmo apresenta 5.694
habitantes, com retração de 15,22%. Natividade possui 8.754 habitantes, com queda de
2,73%. Oliveira de Fátima tem 1.164 habitantes, um crescimento de 12,25% e é o município
com a menor população do estado. Pindorama do Tocantins tem 4.478 habitantes, uma queda
de 0,62%. Ponte Alta do Tocantins apresenta 7.586 habitantes, com aumento de 5,65%. Santa
Rita do Tocantins soma 2.219 habitantes, com crescimento de 4,28%. Santa Rosa do
Tocantins tem 4.656 habitantes, com aumento de 1,93%. Silvanópolis registra 5.108
habitantes, com crescimento de 0,79%.

Com 64.418 habitantes, Porto Nacional concentra cerca de 55% da população regional e se
consolidou como o terceiro município mais populoso do Tocantins, atrás apenas de Palmas e
Araguaína. Parte desse crescimento está ligado ao distrito de Luzimangues, que possui cerca
de 24 mil habitantes e está situado a menos de 10 quilômetros de Palmas, segundo dados da
Prefeitura de Porto Nacional. A sede do município, por sua vez, está a 52 quilômetros da
capital, o que evidencia uma intensa integração territorial, econômica e populacional entre os
dois municípios.
Do ponto de vista econômico, Porto Nacional também se destaca. Em 2021, seu PIB foi de
3.649.421.284 reais, o terceiro maior do Tocantins, superando inclusive Gurupi, que é o
terceiro município mais populoso do estado. Esse valor representa aproximadamente 7% do
PIB estadual, que foi de R$ 51,8 bilhões no mesmo ano. A composição setorial do PIB de
Porto Nacional está dividida da seguinte forma: administração pública, educação, saúde e
seguridade social com R$ 455.229.796, o que equivale a 12,47% do total; outros serviços
com R$ 1.268.066.928, correspondendo a 34,74%; a indústria com 594.707.877 reais,
representando 16,29%; e a agropecuária com 504.037.197 reais, equivalente a 13,81%. A
diferença até o total do PIB é atribuída, segundo a metodologia do IBGE, aos impostos
líquidos sobre produtos, estimados em cerca de 827.379.486 reais, o que representa 22,68%
do valor total.
Apesar desse cenário de crescimento populacional e econômico, a infraestrutura de mídia da
região permanece limitada e altamente concentrada em Porto Nacional. Levantamentos
realizados pelo Mapa da Mídia do Tocantins, em 2020 e 2025, pelo Grupo de Pesquisa em
Jornalismo e Multimídia da Universidade Federal do Tocantins (Nepjor/UFT), indicam que
não há veículos de comunicação registrados nos outros 12 municípios da região. Em Porto

Nacional, destacam-se a Rádio Tocantins 580 AM (comercial), a Rádio Comunitária Porto
Nacional, a GT Web Rádio e os portais Porto News, Paralelo 13, Luzimangues On e Porto
Rápido. Alguns veículos deixaram de operar, como a SBT TV Porto 10 e o site Portal MV, o
que evidencia certa instabilidade no ecossistema midiático local.
No que se refere à comunicação institucional, todos os municípios da região contam apenas
com assessorias vinculadas às prefeituras e às câmaras de vereadores. Não há registro de
secretarias municipais de comunicação estruturadas. Apenas em Porto Nacional foram
identificadas assessorias de imprensa mais consolidadas, com produção contínua de releases e
conteúdos informativos. Nos demais municípios, a atuação limita-se à publicação esporádica
de notas oficiais, sem presença de equipes técnicas específicas de jornalismo ou relações
públicas.
A Região Imediata de Porto Nacional vive, portanto, uma contradição estrutural. Ao mesmo
tempo em que concentra crescimento populacional e força econômica, impulsionada
especialmente pelo dinamismo de Porto Nacional e sua integração com Palmas, sofre com
uma infraestrutura de comunicação extremamente desigual e precária. A ausência de veículos
de mídia nos demais municípios compromete o direito à comunicação e à diversidade
informativa local.

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