Região Imediata de Palmas cresce e aumenta a concentração da Mídia do Tocantins na Capital
Por Valmir Araújo
A Região Imediata de Palmas – uma das 11 subdivisões estabelecidas pelo IBGE no
Tocantins – revela, ao mesmo tempo, o acelerado crescimento populacional e as persistentes
desigualdades sociais do estado. Ao analisar dados demográficos, econômicos, de qualidade
de vida e de presença midiática, percebe-se um cenário de concentração em contraste com o
restante dos 139 municípios tocantinenses.

A capital, Palmas, tem atraído pessoas e investimentos em ritmo constante, o que se reflete
também no campo da comunicação. O crescimento urbano vem acompanhado de uma
centralização dos meios de comunicação, já que a maioria dos jornais, rádios, TVs e portais
de notícias do Tocantins está sediada na cidade.
Com uma população total de 333.542 habitantes, a Região Imediata de Palmas apresenta
grande desequilíbrio: cerca de 90% das pessoas (302.692) vivem na capital, enquanto os
outros oito municípios concentram menos de 10% da população. Desde 2010, Palmas teve
um crescimento populacional de 32,5%, sendo a segunda capital brasileira com maior
aumento percentual, atrás apenas de Boa Vista (RR). Esse avanço se deve, em grande parte, à
migração de pessoas de outras regiões do estado e do país, atraídas por oportunidades de
trabalho, acesso a serviços e universidades. Ainda assim, Palmas permanece como a menor
capital do Brasil em número de habitantes.
Alguns municípios vizinhos também registraram crescimento, impulsionados sobretudo pelo
turismo no Jalapão. É o caso de Mateiros e São Félix do Tocantins (24%), Lajeado (21%) e
Aparecida do Rio Negro (15%). Por outro lado, outras cidades encolheram, como Rio Sono (-
23%), Lizarda (-19%) e Lagoa do Tocantins (-0,26%), evidenciando que o desenvolvimento
não alcança toda a região de forma igualitária.

Dessa forma, embora Palmas concentre crescimento populacional, investimentos e a maior
parte dos meios de comunicação do Tocantins, o cenário revela um desequilíbrio regional que
impacta tanto o desenvolvimento urbano quanto a representatividade midiática. A
centralização reforça desigualdades ao deixar grande parte do território estadual sem
visibilidade e cobertura jornalística adequada, o que exige políticas públicas e estratégias de
comunicação que promovam maior equilíbrio entre capital e interior.
Destaque econômico e em qualidade de vida
Palmas abriga cerca de 20% da população do Tocantins e responde pelo mesmo percentual do
Produto Interno Bruto (PIB) estadual – R$ 10,3 bilhões de um total de R$ 51,7 bilhões. A
economia local é movida, principalmente, pelo setor de serviços (57%), que engloba
comércio, shopping centers, bancos, universidades e o turismo. Em seguida, vem a
administração pública (28%), que concentra os principais órgãos estaduais e federais. Já a
indústria (12%) e a agropecuária (3%) têm menor peso, mas ainda são relevantes.
A capital é também o principal ponto de entrada para o Jalapão, sendo a única cidade do
estado com aeroporto que opera voos comerciais. Em 2023, o Parque Estadual do Jalapão
recebeu 53.966 visitantes, muitos dos quais passaram por Palmas antes de seguir viagem.
No que diz respeito à qualidade de vida, Palmas se destaca com o maior Índice de Progresso
Social (IPS) do Tocantins e de toda a Região Norte, com 68,18 pontos – à frente de cidades
como Manaus e Belém. Está em 7º lugar entre as capitais e ocupa a 61ª posição entre os
5.570 municípios do país. A cidade alcança bons resultados em necessidades básicas (76,84
pontos) – com acesso à água, energia, saúde e educação – e em bem-estar (70,7), que inclui
segurança, meio ambiente e qualidade de vida. No entanto, o índice de oportunidades é o
mais baixo (57,01), indicando que muitas pessoas ainda enfrentam barreiras para conseguir
empregos de qualidade ou empreender.

Nesse contexto de crescimento econômico, urbano e institucional, Palmas consolida-se não
apenas como centro político e administrativo, mas também como polo de produção e
circulação de informações no estado. A estrutura concentrada de serviços, universidades e
turismo fortalece o papel estratégico da capital no cenário comunicacional tocantinense.
Concentração midiática na capital
De acordo com o Mapa da Mídia do Tocantins, produzido pelo Grupo de Pesquisa em
Jornalismo e Multimídia – Nepjor/UFT (Bitar, Rocha, Silva (2025), apontou que em 2024,
dos 208 veículos de comunicação mapeados no estado (TVs, rádios, jornais impressos e sites
jornalísticos), 85 encontram-se no município de Palmas, o que representa 40,86%. Esse
percentual de concentração é superior ao registrado no mapeamento anterior, realizado pelo
Nepjor/UFT em 2020, quando foram identificados 178 veículos de comunicação, sendo 65
sediados em Palmas — o equivalente a 36,5%.
Um dos principais vetores desse aumento na concentração da mídia tocantinense foram os
sites jornalísticos. No total do estado, o número passou de 85 para 89; já na capital, o salto foi
de 49 para 63, representando um crescimento proporcional de 57% para 70,7%. Isso indica
que alguns veículos foram encerrados no interior, ao passo que um número ainda maior foi
criado em Palmas.
Em relação aos jornais impressos ativos, não houve alteração entre 2020 e 2024. Permanecem
em circulação apenas quatro títulos: Primeira Página, Folha Capital, Jornal Daqui e Centro-
Norte Notícias. Dos quatro veículos, os três primeiros continuam sediados em Palmas, o que
representa uma concentração de 75%, enquanto o último está localizado no município de
Pedro Afonso. Para efeito de comparação, no mapeamento realizado pelo Nepjor em 2016,
haviam sido catalogados 41 jornais impressos em atividade no Tocantins.
Entre as emissoras de televisão, também se observa um crescimento na concentração em
Palmas, que passou de 4 para 7 canais ativos, dentre os 26 mapeados em todo o estado — ou
seja, 26,92% do total. Já no caso das emissoras de rádio, embora Palmas concentre o maior
número absoluto de canais no Tocantins, apresenta a menor taxa proporcional de
concentração: 12,35%, com 11 veículos na capital, de um total de 89.
Esses dados revelam que a maior parte das notícias consumidas pela população tocantinense
tem origem em Palmas — inclusive entre os moradores do interior, que dispõem de poucos
veículos locais e de escassa cobertura de suas realidades. A capital, portanto, consolida-se
como o centro econômico, político, educacional e midiático do estado. Enquanto Palmas
avança, muitas cidades do interior enfrentam perda populacional e contam com menor meios
de comunicação locais.
A concentração da mídia em Palmas chama atenção tanto pela quantidade de veículos quanto
pela sua relevância. Destacam-se, por exemplo, a sede da TV Anhanguera (afiliada da Rede
Globo); entre as rádios, a Jovem Palmas (fundada em 1989); o Jornal do Tocantins (cuja
versão impressa teve início em 1979 e hoje funciona apenas online) e o Jornal Daqui,
fundado em 2023; e o Portal Cleber Toledo, criado em 2005.
Assim, embora Palmas concentre cerca de 20% da população e da economia do Tocantins,
sua presença no cenário midiático estadual é desproporcional, reunindo mais de 40% dos
veículos de comunicação registrados. Essa disparidade evidencia uma centralização
acentuada da produção e circulação de notícias na capital, o que impacta diretamente a
qualidade e a diversidade da mídia regional. Com 139 municípios, o Tocantins carece de
cobertura local em grande parte de seu território, o que limita o acesso da população do
interior a conteúdos que reflitam suas realidades, demandas, especificidades culturais e boas
práticas do jornalismo regional. O resultado é um consumo excessivo de narrativas centradas
em Palmas, o que não apenas contribui para a homogeneização do discurso midiático, como
também compromete o papel social do jornalismo regional tocantinense.
Referências
IBGE. Censo Demográfico 2010. Disponível em: https://censo2010.ibge.gov.br/
IBGE. Estimativas da População 2022. Disponível em:
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/22827-estimativas-de-populacao.html
IBGE. Produto Interno Bruto dos Municípios (PIB). Dados mais recentes disponíveis (2021 ou 2022,
a depender da última divulgação).
Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/contas-nacionais/9088-produto-
interno-bruto-dos-municipios.html
G1 TOCANTINS. Número de turistas no Jalapão cresce em 2023; veja regras para visitar esse
patrimônio natural. G1, Palmas, 25 jan. 2024. Disponível em:
https://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2024/01/25/numero-de-turistas-no-jalapao-cresce-em-2023-
veja-regras-para-visitar-esse-patrimonio-natural.ghtm
Social Progress Imperative / Instituto Social Progress. Índice de Progresso Social Brasil – IPS
Municipal 2024 (ou edição mais recente).
Disponível em: https://www.socialprogress.org/
TOCANTINS. Instituto Natureza do Tocantins – NATURATINS. Levantamento sobre visitação no
Parque Estadual do Jalapão referente ao ano de 2023. Gerência das Unidades de Conservação.
Palmas: Naturatins, 2024.