Araguaína expande em população e mídia, enquanto municípios da Região Imediata encolhem
Valmir Teixeira de Araújo
A Região Imediata de Araguaína, composta por 21 municípios no norte do Tocantins,
apresentou um cenário demográfico contrastante entre 2010 e 2022. Enquanto Araguaína —
principal polo econômico da região e segunda cidade mais populosa do estado — registrou
um crescimento de 13,83% (saltando de 142.925 para 171.301 habitantes), a maioria dos
municípios vizinhos enfrentou redução populacional. Apenas sete municípios apresentaram
aumento no número de habitantes: Muricilândia (+9,12%), Santa Fé do Araguaia (+7,45%),
Campos Lindos (+6,38%), Ananás (+4,66%), Goiatins (+4,21%), Barra do Ouro (+3,88%) e
Darcinópolis (+1,02%). Em contrapartida, os demais registraram retração: Babaçulândia (-
24%), Piraquê (-21,85%), Arapoema (-17,5%), Araguanã (-14,31%), Pau-d’Arco (-11,88%),
Aragominas (-10,06%), Angico (-9,25%), Filadélfia (-9,33%), Xambioá (-8,42%), Riachinho
(-5,41%), Carmolândia (-4,87%), Wanderlândia (-4,18%) e Nova Olinda (-2,99%).

Com uma população total de 301.108 habitantes, a região tem sua dinâmica demográfica
fortemente influenciada por Araguaína, que concentra 56,8% dos residentes, enquanto os
outros 20 municípios abrigam 43,2%. Além de ter a maior população, Araguaína é também o
principal centro econômico da Região Norte do Tocantins, que compreende outras regiões
imediatas e forma a Região Intermediária de Araguaína. Essa região reúne 65 municípios
(47% dos 139 municípios tocantinenses) e uma população de aproximadamente 629 mil
habitantes, o que representa 41% da população estadual, estimada em 1,511 milhão de
habitantes no Censo 2022 (IBGE, 2022).
Esse protagonismo populacional e econômico de Araguaína também se reflete no campo da
comunicação, com o município apresentando uma evolução modesta, mas significativa, entre
os levantamentos de 2020 e 2024 do Mapa da Mídia do Tocantins, produzido pelo Grupo de
Pesquisa de Jornalismo e Multimídia da Universidade Federal do Tocantins (Nepjor/UFT).
Houve um pequeno aumento no número de emissoras de rádio, canais de TV e sites
jornalísticos em Araguaína. Já nos demais municípios da região, houve o fechamento de uma
rádio em Pau-d’Arco — município que também registrou queda populacional — e que
atualmente não conta com nenhum veículo de comunicação, mesma situação de outros 15
municípios da Região Imediata de Araguaína.
As exceções são cinco municípios que mantêm uma emissora de rádio: Ananás (Rádio
Cidade FM), Campos Lindos (Rádio Itamaraty FM), Goiatins (Rádio Asto FM), Santa Fé do
Araguaia (Sol 87.9 FM) e Xambioá (Rádio Cristal 87.9 FM). Destes, apenas Xambioá teve
redução populacional; os demais apresentaram crescimento.
No município de Araguaína, o número de emissoras de rádio subiu de cinco para seis,
atualmente: Rádio Mais 104.9 FM, Araguaia 99.7 FM, Tocantins 97.7 FM, Terra 96.5 FM,
Jovem Gospel 94.7 FM e Rádio Comunitária Neblina FM. Quanto à televisão, todas as seis
emissoras da microrregião estão sediadas em Araguaína, um aumento em relação às cinco
existentes em 2020. São elas: TV Aratins (TV Meio Norte), TV Rio Lontra (SBT), TV Jovem
Araguaína (Record), TV Líder (RedeTV!), TV Amazonas (Band) e TV Anhanguera
Araguaína (Globo). Os sites jornalísticos passaram de sete para oito, todos também sediados
em Araguaína: Lucas Lima na TV, Araguaína Notícias, AF Notícias, Portal Gilda Bonfim,
Norte do Tocantins, Gilberto Silva, Portal O Norte e Fatos e Notícias. Essa concentração
reforça o papel central da cidade como polo midiático regional.
Os dados econômicos mais recentes evidenciam um forte desequilíbrio no desenvolvimento
regional da Região Imediata de Araguaína, cuja dinâmica está fortemente centralizada no
município-polo. Em específico, em 2022, Araguaína registrou um Produto Interno Bruto
(PIB) de R$ 5,23 bilhões (cerca de 10% do PIB tocantinense), sendo que o setor de serviços –
desconsiderando as áreas de administração pública, defesa, educação, saúde e seguridade
social – respondeu por R$ 2,54 bilhões (48%), configurando-se como o principal motor da
economia local. As atividades públicas somaram R$ 1,34 bilhão (25,6%), enquanto a
indústria contribuiu com R$ 521 milhões (10%) e a agropecuária, de maneira bastante
modesta, com apenas R$ 112 milhões (2,1%). Essa concentração econômica, somada à
centralização populacional e comunicacional, revela um paradoxo no processo de
desenvolvimento regional: ao mesmo tempo em que Araguaína se fortalece como polo
dinâmico, os demais municípios da região permanecem em posição periférica, com baixa
capacidade de articulação produtiva e institucional.
É possível perceber que Araguaína não apenas absorve mais da metade da população da
região, como também centraliza praticamente todos os meios de comunicação estruturados, o
que acaba por reforçar seu papel como eixo populacional, econômico e de infraestrutura de
comunicação, uma vez que os demais municípios são impactados pela produção da mídia
araguainense.
No entanto, essa realidade aponta para a existência e resistência da mídia local/regional e seu
papel numa região remota como a analisada. O esvaziamento demográfico e a perda dos
poucos meios de comunicação nos municípios menores são contrastados com um relativo
fortalecimento de Araguaína, que funciona como um importante polo da Região Norte do
Tocantins.
1 Produzido em maio de 2025.
Referências
GRUPO DE PESQUISA DE JORNALISMO E MULTIMÍDIA (NEPJOR/UFT). Mapa da
Mídia do Tocantins. Palmas: Universidade Federal do Tocantins, [s.d.]. Disponível em:
https://nepjor.com.br/. Acesso em: 14 maio 2025.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo
demográfico 2010: características da população e dos domicílios: resultados do universo.
Rio de Janeiro: IBGE, 2011. Disponível em: https://censo2010.ibge.gov.br/. Acesso em: 14
maio 2025.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo
demográfico 2022: primeiros resultados. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em:
https://censo2022.ibge.gov.br/. Acesso em: 14 maio 2025.
ROCHA, L. V. ; SOUZA, S. M. B. ; ALVES, Y. M. Mapa da mídia no Tocantins:
levantamento dos veículos entre 2016 e 2020. ANUÁRIO INTERNACIONAL DE
COMUNICAÇÃO LUSÓFONA, v. 1, p. 127-147, 2020.